No Dia Mundial da Língua Portuguesa celebramos uma língua que nasceu há séculos entre montes, vales e fronteiras em movimento, e que hoje atravessa oceanos, continentes e culturas. Uma língua que começou por ser murmúrio do povo, fala quotidiana, e que lentamente ganhou corpo, identidade e escrita.
Um dos seus marcos fundadores surge em 1214, quando o rei D. Afonso II redige o seu testamento — o primeiro documento oficial conhecido escrito em língua portuguesa. Nesse gesto, a língua deixa de ser apenas voz e passa a ser memória, registo, herança. A partir desse momento, o português afirma-se como instrumento de governo, de cultura e de futuro.
Hoje, séculos depois, celebramos essa mesma língua que se expandiu, transformou e se reinventou, acolhendo mundos e criando pontes. A língua portuguesa é casa de poesia, ciência, música, afeto e imaginação. É encontro entre povos e espaço de criação partilhada.
Que este dia nos lembre a força de uma língua que começou num testamento medieval e que agora vive em milhões de vozes, em cada sala de aula, em cada livro aberto, em cada história contada.

